A Morada do Gênio – Parte II: De Volta à Catedral

Durante anos recebi um árduo treinamento. Com isso eu resisto a temperaturas absurdas, consigo manipular o gelo ao redor a meu favor criando armas, projéteis. Sinto que mesmo em um clima sem frio também consigo criá-lo. Mas o que mais me empolga é a magia. Tenho conhecimento de poucas, mas sinto o poder arcano fluir em mim.

Em certos momentos coisas estranhas acontecem. Escuto a voz de uma mulher a me chamar dentro de mim. Mas o que mais me impressiona é uma construção que fica acima das montanhas ao norte. Uma Catedral feita de gelo. Ao entardecer vejo o reflexo do Sol bater nessa estrutura esculpida em cristais. Sinto-me hipnotizado. Porém Isra ordenou-me para que nunca fosse até lá.

nekoffee

"Mas o que mais me impressiona é uma construção que fica acima das montanhas ao norte. Uma Catedral feita de gelo. Ao entardecer vejo o reflexo do Sol bater nessa estrutura esculpida em cristais"

O que será que esconde por detrás daquela estrutura fria… Não tinha a menor noção do que poderia ter ali… Até aquele dia…

Acordei como de costume e fui procurar por Isra, porém não o achei em lugar algum de nossa pequena casa. Nem nos arredores mais próximos. Para onde será que aquele Gênio poderia ter ido? Continuei a caminhar, pois estava achando tudo muito estranho. Não era de seu costume sair sem preparar o desjejum.

Andei até me encontrar em frente ao bosque que fica na direção norte de nossa morada. Pela primeira vez em tempos senti um vento frio. Tremi. Realmente algo estava para acontecer, e não seria algo bom.

Comecei a correr, atravessando o bosque, ignorando qualquer animal, vegetação, qualquer coisa, minha roupa engatava por entre os galhos, meus pés pisavam e feriam com as pedras no chão, os seres que ali viviam corriam assustados em busca de algum abrigo por conta de minha passagem súbita por aquele ambiente. Grandes lobos corriam emparelhados comigo, porém meus olhos mais pareciam olhos mais ameaçadores do que os das próprias feras. Depois de um tempo, quando enfim transponho o bosque, vejo o vale encoberto de neve.

nekoffee

"Grandes lobos corriam emparelhados comigo, porém meus olhos mais pareciam olhos mais ameaçadores do que os das próprias feras."

Mais um calafrio percorreu minha espinha. Uma trilha de sangue já seco percorria pela frente subindo as montanhas. Segui com o olhar o destino do caminho funesto e fiquei paralisado e acometido de desespero. O único lugar onde não poderia ir em todo o Reino. A Catedral de Gelo.

Não sabia o que fazer, dúvidas em minha cabeça, sentimentos estranhos. Por que ali? Por que justamente naquela estranha Catedral?

– Porque é seu destino… Venha até mim e tudo fará sentido…

A voz veio firme em minha mente, e como uma martelada certeira me fez entender que eu deveria ir até a Catedral. Estava tudo claro para mim. Isra estaria lá e precisava de mim. Tudo ia dar certo. E, enfim, eu poderia entender o que se abrigava naquele local.

O tempo se fechou, nuvens cobriram os céus, uma forte nevasca começou a assolar o local, mas nada poderia me impedir de subir. Eu ignorava qualquer tipo de dificuldade. Nem os Deuses nesse momento poderiam me parar. E eu sentia que alguma coisa estava tentando intervir, mas minha determinação era maior que tudo. Pois eu tinha que salvar Isra de qualquer perigo que ele possa estar passando.

nekoffee

"O tempo se fechou, nuvens cobriram os céus, uma forte nevasca começou a assolar o local, mas nada poderia me impedir de subir."

Depois dessa subida sacrificada pela montanha, enfim seu topo apareceu, e lá, limpa e intocada pela nevasca estava a Catedral de gelo, imponente, como se reinasse naquele ambiente, com um jardim tenebroso feito de estátuas de gelo que mais pareciam seres petrificados do que obras de arte. Ao me aproximar, novamente escutei ser chamado.

– Krizzor…

Era uma voz que não conhecia, um chiado, um sibilo. Tive medo. Mas meu objetivo era maior, meu mestre, meu senhor, minha família estava ali, e eu tinha que salva-lo. Tomei coragem e juntei o restante de força que tinha e empurrei as portas de gelo da Catedral.

Ao entrar nada via, apenas escuridão, o que me deixou surpreso, pois do lado de fora se via apenas transparência, e do lado de dentro apenas as trevas. Um calor doentio, um cheiro de podridão infestava o ambiente. Ao longe tinha a impressão de ouvir risadas de desdém, mas poderia ser minha imaginação.

– Isra!!! Aonde você está?

O silêncio era minha resposta.

Até que as portas se fecharam atrás de mim e o ruído do vento cessou. Apenas ouvia minha respiração e meu coração bater acelerado. Que lugar é este? Isra… Isra…. Onde está você?

Um ruído surgiu em minha frente. Fiquei estático. O barulho parecia de um animal mastigando uma carne crua. O barulho dos ossos quebrando, da carne sendo rasgada e dos dentes rangendo. Pareciam um uníssono de um ritual macabro. O cheiro de podridão aumentou deixando-me enjoado, até que lentamente as paredes começaram a emanar uma luminescência fraca e o que vi me fez gritar.

– * –

Í N D I C E

Primeiro Capítulo: A Catedral de Gelo – Parte I e Parte II

Segundo Capítulo: A Morada do Gênio – Parte I

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Sobre Krizzor

Nerd, otaku, rpgista e tudo mais que seja desse multiverso xD e com orgulho!
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2 respostas a A Morada do Gênio – Parte II: De Volta à Catedral

  1. Kellyanne diz:

    Tres letrinha pra vc…. FDP…. Odeio quando tu faz isso >.<

  2. que tá gritando sou eu seu sacana de merda! tó com a mente cheia de teorias agora. =)

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